Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

2. ORGANIZAÇÃO

A importância de uma organização eficaz, com uma estrutura clara, comunicação interna fluida e motivação para os objectivos.

ver ainda:

As assessorias

A imagem das organizações políticas

 

Organização

Só através de uma organização eficaz e disciplinada é possível atingir os objectivos.
Se não houver disciplina, por mais que se tente marcar a agenda, o que acaba por ser marcante é a divisão interna e a falta de organização.
Quem quer ocupar um cargo com responsabilidades, não pode dar a ideia que nem entre os seus apoiantes tem autoridade e controlo.
A organização e a disciplina aplicam-se também à estrutura de comunicação.
Tem de ser reduzido o número de pessoas que fazem a gestão da informação relevante e tem de haver um controlo rigoroso do que é transmitido para o exterior.
Cavaco Silva “(…) procurava sempre informar o partido, nas reuniões semanais ocorridas na sua sede, dos propósitos e iniciativas do Governo. Mas, infelizmente, as fugas de informação do que ali se passava eram uma dificuldade que o incomodava” - Fernando Lima.
As fugas de informação provocam mau estar no interior das organizações e fomentam uma imagem de falta de solidariedade e problemas internos.

Uma boa organização é também fundamental em momentos políticos agitados, nomeadamente nos processos eleitorais. Não se pense que se trata de uma estrutura simples e reduzida.
Pelo contrário, é complexa e envolve muita gente. Só para dar um exemplo: o Labour, no período da campanha eleitoral de 1997, a nível central, tinha uma estrutura assente em 13 divisões.


Só num piso do Mill Bank Tower - o quartel general - estavam: uma equipa que preparava as acções no terreno; outra acompanhava em permanência os meios audiovisuais; um sistema informático que servia de arquivo das principais declarações políticas nos últimos anos; um grupo de colaboradores que estabelecia o contacto com os notáveis do partido; uma equipa para fazer a leitura de imprensa…

Repare-se agora na «sala de guerra» da campanha de George W. Bush para as presidenciais de 2004. 14 de Julho de 2004
Por Jim Rutenberg
«Arlington, Va, 13 de Julho – Pouco depois das 14h de segunda-feira, um grupo de assessores da campanha do Presidente Bush reúne-se à volta de duas pequenas colunas numa sala que, com as persianas corridas, está iluminada pelos ecrãs de 15 televisores. Eles estão a ouvir a voz do Senador John Kerry. Nenhuma das cadeias televisivas está a transmitir na íntegra o discurso de Kerry (...) Mas os operacionais de Bush conseguiram a sua transmissão áudio, que recusam a dizer como, e ouvem atentamente, prontos a descobrir qualquer brecha para um ataque.
Depois de ouvirem impacientemente, encontraram uma: Kerry disse que estava “orgulhoso” dos votos - dele e do seu companheiro de corrida, o Senador John Edwards - contra a verba de 87 mil milhões de dólares solicitada pelo Presidente para as tropas no Iraque e Afeganistão, no último Outono. Foi o voto que os Republicanos usaram para criar um caso sobre o facto de Kerry estar a falhar no apoio às tropas depois de ter votado autorizando a guerra.
No período aproximado de uma hora, a equipa de Bush, no quartel-general da campanha num edifício de escritórios nos subúrbios da Virgínia, tinha enviado um comunicado via e-mail para centenas de jornalistas, apoiantes e associados da campanha. A mensagem de e-mail incluía a nova citação e uma de Setembro [2003] quando Kerry deu a entender que seria “irresponsável” votar contra tal gasto. A citação, juntamente com a ideia de que a posição de Kerry tinha-se alterado, encontrou eco na Fox News e em artigos no Washington Post, USA Today, The New York Times, The Boston Globe e The Associated Press.
E este foi um dia relativamente calmo na sala de guerra do Sr. Bush.
(...) Embora tecnologicamente muito mais avançada, a sala de guerra do Sr. Bush foi moldada no esforço pioneiro de Bill Clinton em 1992, que combinava investigação de campanha e profissionais de comunicação para recolher e espalhar informação para os media noticiosos, que são cruciais na definição de percepções e candidatos, tão rápido quanto possível.
(...)A sala tem três longas mesas alinhadas com computadores. A maioria é ocupada por estudantes universitários ou recém-licenciados que constantemente monitorizam Web sites com orientação política e vêem monitores de televisão, que são regularmente sintonizados para os maiores canais de cabo e de notícias financeiras, os vários sinais C-Span e as grandes cadeias televisivas [de sinal aberto].
O núcleo, constituído por oito pessoas, do “staff” começa o seu trabalho às cinco da manhã. Mas é uma operação de 24 horas, tendo por combustível Coca-Cola, café e Slurpees. Ao longo da noite, três a quatro internos assistem aos programas noticiosos a horas tardias, aos programas de comédia e vêem a Internet em busca de qualquer notícia de campanha. Um trabalho crítico durante a noite é recolher os itens mais importantes dos jornais matutinos.
Outra tarefa é procurar quaisquer novas pistas nos jornais locais sobre aparições planeadas de Kerry, Edwards ou dos seus mais proeminentes apoiantes, de maneira a que a campanha possa enviar os seus próprios representantes no Estado para falarem contra a campanha de Kerry. A escala, que é enviada para assessores de comunicação seniores de Bush tem o nome de “Wild-Eyed Watch”.
(,,,) Depois de os Republicanos terem enviado uma mensagem por e-mail sobre o comentário para a sua vasta lista de repórteres, o Sr. Schmidt fez chamadas telefónicas para repórteres que viajam com Kerry e assegurar-se de que eles tinham dado por isso. “A notícia do dia”, proclamou o Sr. Schmidt num telefonema para um repórter, “é uma evolução nos 87 mil milhões. Agora John Kerry disse que estava orgulhoso.” (A campanha de Kerry argumentou que Kerry manteve sempre o seu voto e que a campanha de Bush estava a fabricar algo a partir de nada particularmente novo).
Na terça-feira, os assessores de Bush, ao mesmo tempo cuidadosos para não assumirem os créditos de terem persuadido os repórteres a não saltarem sobre a citação, estavam claramente satisfeitos que ela tivesse aparecido em muitos artigos. Ainda assim, não estavam inteiramente satisfeitos. Schmidt disse que iria pedir a alguns aliados que levantassem novamente a questão em aparições televisivas.
Mas ao fim e ao cabo, os aliados não eram necessários. Bush, alertado para a citação por assessores de campanha, mencionou-a num discurso em Michigan, na terça-feira, dizendo “Membros do Congresso não deviam votar a favor do envio de tropas em combate e depois votar contra o seu financiamento. E depois gabarem-se disso.” A frase foi destaque no início do World News Tonight, na ABC, na terça-feira. A média da audiência nocturna do programa ultrapassa de longe qualquer jornal: mais de oito milhões de pessoas.»
The New York Times; 14 de Julho de 2004

Em Portugal as organizações partidárias estão muito longe desta estrutura tão ampla e diversificada.
Habitualmente há um director de campanha que assegura a organização e os meios necessários. O director de campanha trabalha frequentemente em ligação com a equipa que define e gere a comunicação e com o líder e o seu staf de apoio.
Há depois, a um outro nível, estruturas ligadas aos media, aos tempos de antena, sondagens, articulação com as estruturas regionais e com a “volta” do líder.
Um exemplo: o PS em 1995: “A comissão técnica eleitoral é coordenada por Jorge Coelho, membro da comissão permanente, do secretariado e líder da FAUL. A agenda de Guterres é coordenada por António José Seguro. Imagem e comunicação: Jorge Coelho, Arons de Carvalho, Pina Moura, Luís Patrão, Miguel Laranjeiro e António Colaço. Grupo de textos: Ferro Rodrigues, Pina Moura, Manuel Seabra. Concepção dos comícios: António José Seguro. Estudos de opinião: Armando Vara e Rui Vieira. Coordenação do programa de governo: António Vitorino, Pina Moura, Maria João Rodrigues, Vitalino Canas, Ferro Rodrigues. Contactos com sectores sócio-profissionais: Miranda Calha. Organizações sectoriais: Artur Penedos. Organizações de mulheres: Maria do Carmo Romão. Jovens: Rui Pereira. Logística de campanha: Marques Miranda. Montagem de palcos e comícios: Domingos Ferreira.” – Público 22/05/95.

Outro exemplo, nas legislativas de 2002, este era o organigrama da estrutura de campanha do PSD:


Tendo em conta que se trata de uma estrutura que envolve organizações regionais e locais, um requisito relevante é um processo eficaz de comunicação interna.

publicado por rgomes às 19:27
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