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Comunicação Política

Comunicação Política

12
Mai13

Como Difundir a Mensagem

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B. COMO DIFUNDIR A MENSAGEM

Para se conseguir uma política de comunicação eficaz, depois de avaliado o conteúdo e a forma da mensagem, o passo seguinte é gerir o processo de divulgação dessa mensagem.


A difusão é feita através de suportes pagos e “não pagos”.
Em traços gerais, a opção é entre comunicar directamente com as pessoas ou falar para os jornalistas e, através deles, atingir o eleitorado.

Os suportes pagos são materiais produzidos e divulgados sob orientação da estrutura política ou da empresa contratada para esse fim.
Tradicionalmente este tipo de difusão recorre a técnicas ligadas à publicidade.
A principal vantagem da “publicidade paga” é ser inteiramente controlada. A organização política faz a edição e difusão de todos os elementos que pretende difundir. A principal desvantagem é que os custos são elevados.


A comunicação “não paga” são as referências difundidas através da comunicação social, englobando noticiários ou programas de outra natureza cuja edição é da responsabilidade do órgão de comunicação social.
O principal problema deste processo é que foge do controlo do emissor. Estes são simples interlocutores que, recorrendo a determinadas técnicas, tentam valorizar as suas prestações. Não está nas mãos dos agentes políticos a palavra final no processo de produção. Bem pelo contrário. Nos regimes democráticos onde existe liberdade de imprensa, quem faz os convites, quem define os temas, quem decide o tempo que é atribuído, quem escolhe as palavras e as imagens que serão transmitidas são os produtores/jornalistas.


Nas últimas décadas a comunicação “não paga” tem sido o principal instrumento de difusão da mensagem política e a tendência é para ter um peso ainda maior.
Por um lado, existe um maior interesse das estruturas políticas em organizar as suas actividades em função da comunicação social. Por outro lado, os próprios media, pelo menos em períodos eleitorais, mostram maior receptividade para o tratamento de temas ligados à actividade política.
Segundo o Media Monitor, em 2002, a política foi a editoria com mais notícias nas televisões portuguesas.
Na imprensa, em 1979, no decorrer de uma semana, o DN deu em média 3 páginas por edição à cobertura da campanha eleitoral (note-se que nessa altura, o formato do DN era maior, mas nem todo o espaço era dedicado à campanha). Em 1985 a grelha para a campanha eleitoral aumentou para 5 páginas por edição (já em formato tablóide). Em 1995, o número de páginas dedicadas, exclusivamente, à campanha eleitoral, variou entre 10 e 14 páginas. Em 2002 o DN publicou diariamente um dossier com uma média de 8 páginas e fez quatro manchetes com a campanha eleitoral. Em 2005 criou também um dossier que teve em média 6 páginas. Os espaços de opinião que, com grande frequência, se debruçavam sobre o tema das eleições encontravam-se noutras páginas. Em 2009 o DN também criou uma secção, Especial Eleições Legislativas 2009, e em várias edições chegou a dedeicar 10 páginas às eleições Legislativas.

O Correio da Manhã também aumentou o espaço dedicado às eleições. Em 1979 e em 1985 dedicou 2 a 3 páginas à campanha eleitoral para as Legislativas. Em 1995, o destaque foi ligeiramente maior. O espaço reservado à campanha andou pelas 3 a 4 páginas inseridas num dossier denominado “Campanha na Estrada”. Em 2002 fez também um dossier dedicado às eleições legislativas que, em média, tinha cinco páginas. No decorrer desta campanha eleitoral o Correio da Manhã fez duas manchetes sobre a actividade partidária. Nas legislativas de 2005 o Correio da Manhã seguiu o modelo das eleições anteriores. Nas eeições seguintes também criou uma secção, designada Especial Legislativas 2009, e dedicava em média 5 páginas à campanha eleitoral, além de vários artigos de opinião.

Nas eleições de 2002, o Público foi o diário que deu mais destaque à campanha eleitoral. Em média tinha dez páginas dedicadas às eleições e em três dias chegou às 11 páginas. Em doze dias, o Público fez seis manchetes sobre a campanha eleitoral. Nas legislativas de 2005 foi também criado um dossier sobre a campanha que variava entre as 8 e 10 páginas. Nas eleições seguintes foi o mesmo procedimento. A secção Eleições2009 chegou a ter uma edição com 10 páginas. 

A própria apetência das pessoas em dar atenção a programas de informação em períodos eleitorais parece ser maior. Foi feita a comparação da audiência de noticiários de televisão, numa semana de campanha eleitoral, para as Legislativas de 1995 e dois anos depois. A semana foi de 25 (segunda-feira) a 29 (sexta feira ) de Setembro de 1995 e de 22 (segunda-feira) a 26 (sexta feira ) de Setembro de 1997. A comparação incidiu em dois noticiários que começam às 13 h ( Primeiro Jornal e Jornal da Tarde ) e outros dois noticiários que começam às 20h ( Jornal da Noite e Telejornal ). Na semana em que estava a decorrer a campanha eleitoral, os dois noticiários da hora de almoço tiveram uma audiência média de 18.9% (Jornal da Tarde - 10.7% + Primeiro Jornal 8.2% ). Em 1997, sem campanha eleitoral, esse valor baixou para 15.8% (Jornal da Tarde - 8.4% + Primeiro Jornal 7.4% ). O mesmo se passou com os noticiários do horário nobre. Em 1995 tiveram 30% de audiência (Jornal da Noite - 17.1% mais Telejornal - 12.9%). Dois anos depois, em 1997, sem grande actividade política, a audiência média baixou para 28% (Jornal da Noite - 14.6% + Telejornal - 13.4% ).

Na mesma semana de campanha de 1995 é importante destacar um outro exemplo. Ao longo da semana, o 24h da RTP não ultrapassou os 3.4% de rating. No entanto, no dia 29/09/95 fez uma emissão especial dedicada às eleições (encerramento de campanha) e o rating passou para os 6%.


Outro motivo que salienta a eficácia da mensagem através de suportes não pagos tem a ver com a credibilidade dos políticos.
O espectador acredita mais no apresentador de um noticiário do que num líder político a falar num tempo de antena. Várias sondagens têm revelado que o eleitorado tem uma má imagem da «classe política». (1) Um estudo de 2002 conduzido pelos investigadores Pedro Magalhães e Sérgio Faria revela que «em termos médios, as instituições políticas tendem a ser aquelas em relação às quais os inquiridos declaram ter menos confiança (…) Essa desconfiança é determinada em grande medida pela avaliação negativa que é feita da performance dos agentes e das instituições dos espaços políticos, tanto no que se refere à política feita, propriamente dita, quanto aos resultados que essa política tem na órbita dos interesses particulares de cada um». (2)

Como o atesta Kenneth Galbraith, “A crença que era outrora dedicada ao padre - e, talvez em menor grau, ao mestre escola - é agora conferida aos porta vozes da televisão e da imprensa. Alusões à fonte da crença são universais e automáticas - «li isso num jornal» ou «vi isso na televisão» - e é fazendo referência a algum comentário da imprensa ou da televisão que se iniciam quase todas as conversas políticas, é com o efeito de tais notícias ou análises sobre a opinião pública que se alimenta uma enorme parcela das discussões políticas”.

Para além desta vantagem, uma outra é que, de facto, esta mensagem pouco ou nada pode custar em termos monetários.

Face a todos estes dados, não é de estranhar que já fazem parte do passado as políticas de comunicação assentes exclusivamente na publicidade e no contacto directo do líder com os eleitores através de comícios e longas digressões. Repare-se nas palavras de Cavaco Silva, proferidas em 2002, numa aula sobre jornalismo político: “Perito em «falar por cima da Comunicação Social», como o próprio o diz, o antigo Chefe de Governo gabou-se mesmo de ter ganho as eleições de 1991 contra os jornais. Garante que não recebia chamadas telefónicas de jornalistas e que tudo fazia para passar mensagens sem a mediação desses profissionais.(…) Hoje, admite, tal proeza é mais difícil.»” (3). Seria uma estratégia suicida. Aliás, no decorrer da governação de Cavaco Silva, verificou-se uma evolução significativa. Cavaco Silva teve encontros frequentes com jornalistas, pequenos-almoços com representantes de vários órgãos de comunicação social…. Além do mais, «com aquela expressão ingénua de dizer que não lia jornais, Cavaco Silva era muito sensível à comunicação social. Alguns dos seus melhores improvisos eram cuidadosamente preparados» - Marcelo Rebelo de Sousa, DN 10/12/2003.
O próprio PSD tem mais tarde uma postura completamente diferente e quase levada ao extremo quando se interpreta a frase de Einhart da Paz, o responsável de Marketing político de Durão Barroso (em 2002) e de Santana Lopes (2005), para quem «uma campanha eleitoral é organizada como um espectáculo mediático para os jornais terem matéria» - Público, 22/03/2002.


Apesar da diferença entre comunicação paga e não paga, os dois modos de difusão são complementares e utilizados com grande frequência. «Hoje o conceito é o da comunicação global, misturando “marketing”, publicidade e assessoria de Imprensa» - Luís Paixão Martins; Expresso; 18/10/1997


Esta complementaridade é feita de vários modos. Muitas vezes, o lançamento de uma iniciativa através de material pago é o pretexto para se conseguirem referências nos media. Os líderes do PP, por exemplo, recorreram com frequência à criação de um cenário para os media - afixarem o primeiro cartaz de campanha. Funcionou sempre. Os jornalistas reportavam o acontecimento e ampliavam para milhões de pessoas a difusão da mensagem de um simples cartaz.
A complementaridades destes dois tipos de comunicação é de tal forma eficaz que em alguns países os outdoors não são colocados massivamente nas ruas. Pelo contrário, são produzidos em pouca quantidade, são colocados apenas em alguns locais e a sua grande projecção é através dos media.
O efeito interessante da mensagem e/ou o sentido de oportunidade, leva os media a falar desse outdoor como uma resposta ou um ataque. Ou seja, o cartaz transforma-se em notícia. Se for criado um cenário adequado para dar a conhecer o material, mais potencialidades tem esse outdoor de ser notícia. Poupa-se dinheiro e ganha-se em eficácia.

Um outro exemplo, utilizado em Portugal é alguns partidos darem a conhecer aos jornalistas o conteúdo dos tempos de antena. Esta foi uma prática comum nas legislativas de 95. O objectivo era conseguir cobertura noticiosa. Em quase todos os casos, conseguiram referências na comunicação social, com notícias que antecipavam o conteúdo dos tempos de antena. O mesmo fez Durão Barroso num tempo de antena do PSD no início de 2004. Quase todos os órgãos de comunicação social anteciparam a mensagem que se pretendia veicular – de que a retoma económica ia começar nesse ano – antes do programa ser difundido.
Na Grã-Bretanha, os trabalhistas e os conservadores já tinham recorrido à mesma técnica, em 1992.


Um outro processo que consegue a cobertura noticiosa é o uso de mensagens fortemente emotivas e provocatórias que, em geral, provocam uma reacção hostil do adversário - ou seja, notícias.
Com o polémico cartaz da «Corrupção x 8», o PP quis, de forma simples e directa, assustar o eleitorado com a ideia de que a regionalização iria multiplicar os cargos a distribuir por uma classe política sob a permanente suspeita de ser corrupta. É essa a imagem que muitos portugueses têm dos políticos, pensa o PP. Que a vem, aliás, fomentando desde há vários anos, convencido de que daí retira alguns dividendos eleitorais.” Expresso, 26/9/98; José António Lima

Na campanha do referendo sobre a regionalização, o PP recorreu a vários cartazes com uma mensagem forte. Foi o caso da bandeira nacional rasgada e outros que falavam de corrupção, dívidas X 8. As reacções foram muitas e não se esgotaram nos partidos. políticos.


Na Grã-Bretanha, nas eleições de 1992 ficou celebrizado um clip da autoria do Labour - “Jennifer’s ear” – que dominou a agenda dos media durante três dias (de inicio com resultados fantásticos para os trabalhistas mas, no final foi uma catástrofe, quando se descobriu que a história não correspondia à realidade ).
Inversamente, pode-se aproveitar uma situação que tenha ocorrido, que tenha sido sujeita a cobertura dos media e possa ser posteriormente “explorada” através de publicidade paga.

Um dos melhores exemplos, em Portugal, foi na sequência do debate entre Mário Soares e Basílio Horta, para as eleições presidenciais de 1991. No dia seguinte ao debate, a agressividade de Basílio Horta foi sujeita ao humor de Herman José, numa crónica na TSF. Na mesma semana, um dos tempos de antena de Mário Soares, reproduziu a crónica que tinha um efeito devastador para a imagem de Basílio Horta.

O objectivo de quem concebe estas iniciativas é transmitir uma mensagem coerente entre o que é difundido nos meios de comunicação social e a mensagem que se está a desenvolver através da publicidade paga.


Com frequência, essencialmente em campanha eleitoral, é forte a tentação de gastar dinheiro em materiais de propaganda e no recrutamento de algum pessoal especializado.
Para se ficar com uma ideia só dos custos em empresas de comunicação, em declarações ao Expresso em 18/10/1997, Isaltino Morais afirmou que «fiz uma consulta a três agências e em média pediram oito mil contos por três meses de campanha». Em 2003, numa reportagem sobre agências de comunicação, a Visão escrevia que «soube que, para um cliente privado, os conselhos de imagem oscilam entre os 100 euros à hora e os 10 mil euros por trimestre». Visão; 13/11/2003
Muitas vezes, as organizações de apoio gastam sem qualquer controlo e depois aparecem as contas que ninguém quer pagar ou já se esgotou o dinheiro. O resultado é uma imagem negativa e de desorganização.

Para evitar esta situação, quando da pré-campanha eleitoral, os partidos fazem um rigoroso planeamento dos materiais e das despesas que vão efectuar. Este trabalho permite poupar recursos e evitar que a estratégia de comunicação, por ser demasiado ambiciosa, acabe por ruir antes das eleições. Apesar deste esforço, é frequente a divulgação de alguns problemas, essencialmente a nível autárquico.


Uma última referência para novos sistemas de comunicação electrónicos. Alguns exemplos recentes mostram como já estão a ser utilizados e a eficácia que atingiram.
Um desses exemplos é a difusão de mensagens através de e-mail e SMS.
Depois de algumas experiências internacionais, em Portugal o recurso às mensagens SMS começou a ser feito de uma forma sistemática quando da crise governamental com a saída de Durão Barroso para Bruxelas. Na altura, em Julho de 2004, o Presidente da República tinha de decidir se optava por eleições antecipadas ou convidar a maioria parlamentar a formar novo governo.
Foi através de SMS que foram convocadas três manifestações em frente ao Palácio de Belém. Na primeira vez apareceram algumas centenas de pessoas e, dias depois foram convocadas duas outras manifestações. Uma a favor de eleições antecipadas e outra de apoio a Santana Lopes. As manifestações tiveram uma larga cobertura mediática.
Nunca se soube quem foram os organizadores das concentrações porque este meio permite uma difusão muito rápida e, como funciona em rede, é difícil descobrir o ponto de partida. Nestes casos, foram as mesmas pessoas – ligadas a um partido político - que convocaram as duas manifestações, embora de sentido contrário.
Segundo relata o Independente de 16 de Julho de 2004, os serviços de Pedro Santana Lopes descobriram que estava em marcha a convocação de uma manifestação em seu apoio e tentaram difundir um outro SMS com a seguinte mensagem «A manif pró-PSL hoje em Belém às 19 é uma armadilha, por favor não vá». A verdade é que apareceram cinco pessoas e foi esta a mensagem que passou na comunicação social. Nestes dias surgiram muitas outras mensagens, a maioria críticas para Santana Lopes, como foi o caso da seguinte: «Esta noite todos à Kapital. O nosso PM, dr PSL, vai presidir ao concurso Miss T-Shirt Molhada. As 10 primeiras vão para o Governo».
Uma outra mensagem que teve grande repercussão foi na noite em que Jorge Sampaio anunciou que não convocava eleições antecipadas. Para exemplificar o seu desagrado, a dirigente socialista Ana Gomes puxou do seu telemóvel e leu a mensagem que tinha acabado de receber: «Cumpriu-se Sá Carneiro: um governo, uma maioria, um Presidente!». A mensagem foi repetida em todos os telejornais, noticiários de rádio e imprensa.
Talvez por ter percebido a importância das mensagens de SMS, dois meses depois de assumir a liderança do PSD, Santana Lopes assinou um acordo com a PT para o envio de 90 mil SMS por dia. Esta iniciativa foi acompanhada de uma reformulação dos processos de comunicação do PSD com uma aposta nos meios electrónicos: “Miguel Relvas promete tornar o PSD no partido «mais inovador e competitivo de Portugal». O secretário-geral dos social-democratas preparou uma nova estratégia de comunicação e acção que passa por organizar a máquina partidária («centralizar a gestão, descentralizar a execução»), dotando a sede nacional e as sedes regionais e distritais de novos equipamentos informáticos. Outro dos objectivos é chegar aos militantes e atingir os eleitores («pensar global, agir local»), com a implementação de um serviço de SMS, de mail com ‘newsletters’ e de um Call Center que comportará operações de Telemarketing.” - Barbara Baldaia; Diário Económico; 25/08/2004


Um outro processo de difusão de mensagens que está a ganhar importância é através das redes sociais. Em minbloging ou mesmo nos blogues. Em Portugal é frequente os jornalistas «coscuvilharem» alguns blogues à procura de notícias e um dos mais citados é do
Pacheco Pereira.

logo do blog de Pedro Santana LopesA utilização dos blogues pelos partidos políticos foi uma novidade nas legislativas de 2005. A convite do portal Sapo, Santana Lopes, José Sócrates, Paulo Portas e Jerónimo de Sousa, cada um, criou o seu blogue. Em cerca de 20 dias, estas página registaram 270 mil acessos e estiveram quase sempre no ‘top’ dos blogues mais vistos do portal.
Outros partidos políticos e dirigentes partidários acabaram por criar também o seu blog, como foi o caso do Partido Humanista e de Manuel Monteiro.

Nas eleições presidenciais de 2006, alem dos blogues dos candidatos, surgiram dezenas de páginas alinhadas com algumas das candidaturas. Diariamente a imprensa citava e recolhia informação nestes blogues.

 

Nas eleições Legislativas de 2009 alguns dirigentes políticos continuaram a recorrer a blogues mas a maioria preferiu criar um  site de candidatura e recorrer a redes sociais.

Quase todos os partidos e coligações utilizaram redes sociais para difundir a mensagem e palataformas de alojamento e partilha de fotos e vídeos.

Manuela Ferreira Leite tinha uma página no Facebook, o BE andou no  Twitter, o CDS de Paulo Portas colocou vídeos no Sapo Vídeos e no You Tube, a CDU partilhou fotos no Flickr e o PS tentou criar uma rede própria através do site Sócrates2009.

 


(1) Uma sondagem da Universidade Moderna, divulgada pela TSF/DN em 3 Novembro de 1998, coloca os jornalistas como uma das classes com maior credibilidade. Os professores surgem em primeiro lugar com 72.7% de respostas favoráveis. Seguem-se os médicos com 70%, e depois os jornalistas com 31,6%. Os políticos estão em último lugar, com um saldo negativo de 40%. Passados cinco anos, uma outra sondagem, da TSF Euroteste publicada na Visão de 05/11/2003, é apontado que 77% dos inquiridos acreditam no que relata a comunicação social.

(2) Segundo o mesmo estudo, os portugueses confiam mais na Igreja, Presidente da República, Forças Armadas, União Europeia, Comunicação Social, Institutos de Sondagens, Polícia, Parlamento, Governo, Tribunais e Partidos políticos.

(3) TSF Online 19 de Fevereiro de 2003.

18
Fev11

Os debates

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 Podem ser decisivos e por isso mesmo são preparados com muito cuidado.

 Antes de mais, são negociadas as condições em que o debate vai ter lugar.
 Quem vai participar, quem é o moderador, com ou sem público, qual o cenário, um ou mais debates.

 O resultado destas negociações vai ao pormenor de definir a colocação em estúdio dos candidatos, o cenário, o tempo que falam e como o podem fazer…

Veja-se o telex da Reuters com alguns detalhes do debate entre Al Gore e George W. Bush para as presidenciais de Outubro de 2000 nos EUA: «Format: the 90-minute debate will not include opening statements. Candidates will have two minutes to respond to a question, followes by one minute to rebuttal and 3 ½ minute exchange bettween themselves. Each candidate will have two minutes for a closing statement. Thoug props are not allowed, the candidates may bring blank paper on which to take notes».

Representantes de Bush e Gore gastaram seis dias em negociações para acordarem os pormenores do debate, desde a altura do pódio ao número de ajudantes e conselheiros permitidos por detrás do palco e até a temperatura da sala.

Nas eleições seguintes, alguns pormenores discutidos nas negociações chegaram ao tamanho dos saltos dos sapatos:

EUA/Eleições: Sapatos de salto alto proibidos nos debates presidenciais
José Pestana, da Agência Lusa
Washington, 23 Set (Lusa) - Quando George W. Bush e John Kerry participarem nos seus três previstos debates televisivos não poderão usar sapatos de salto alto ou outro “instrumento” que os faça parecer mais altos.
Este é um dos muitos pormenores do acordo sobre os debates que estabelece também que as tribunas devem ter exactamente 1,27 metros de altura na parte frontal e que diagramas e cartazes não podem ser utilizados pelos dois candidatos. (…)
As duas partes estão de acordo em que nenhum candidato poderá desentorpecer as pernas, aparentemente para se evitar uma corrida para a beira do palco.
Isto porque, em 1996, Bill Clinton abandonou a tribuna, quando, num dos debates em que as perguntas eram feitas por membros da audiência, se aproximou da beira do palco e falou directamente ao público.A imagem televisiva projectada foi a de um Bill Clinton próximo do público e o seu opositor distante e afastada.
Os acordos foram negociados durante semanas (…).
Lusa/fim

Em Espanha a negociação do primeiro debate, em 1993, também foi complicada: porque Aznar é 12 cm mais baixo que Gonzalez, o PP só aceitava o debate se os dois candidatos estivessem sentados. A Antena 3 teve de apresentar três propostas de mesas para conseguir convencer socialistas e populares… Para evitar qualquer tipo de distracção, optaram pela ausência de público e 15 perguntas, com período de resposta de três minutos, seguida de réplica por mais dois minutos.(1) Este debate, em 24 de Maio de 1993, foi o primeiro, em mais de 15 anos de regime democrático.

Em 2008 foram retomados os debates, com dois frente-a-frente entre Zapatero e Rajoy.  O primeiro  terminou com um empate. No segundo, em 4 de Março, as sondagens deram uma clara vantagem a Zapatero.

 

Em Portugal, em 1995, na preparação dos debates entre António Guterres e Fernando Nogueira, um responsável da SIC (o outro debate foi na RTP) chegou a dizer que, foram mais difíceis as negociações do que a realização do debate.
Durante cerca de duas semanas repetiram-se as conferências de imprensa e as cimeiras entre as delegações dos dois partidos, só para acertarem em que televisões iam ter lugar os debates. O PS rejeitava a RTP. O PSD rejeitava a TVI. Para se ultrapassar o impasse foram avançadas várias propostas. Desde a produção dos debates ser da responsabilidade dos partidos políticos, por sorteio, haver apenas um debate, haver um debate a quatro…


A história dos debates políticos em Portugal é uma sucessão de polémicas.

Em alguns casos os candidatos recusaram-se estar presentes, porque não foram salvaguardas condições de igualdade para todos (Ramalho Eanes nas presidenciais de 1980), outros, porque recusaram o título de “pequeno partido” (Hermínio Martinho do PRD em 29 de Agosto de 1985), num outro caso, não foi aceite a delegação do líder do PSD num outro dirigente (Eurico de Melo em 5 Setembro de 1985 foi representar Cavaco Silva).

Houve ainda a ausência de Jorge Sampaio, que recusou debater com Macário Correia nas autárquicas de 1993, após uma longa polémica com a SIC e ficou a cadeira vazia, passando-se o mesmo com Marcelo Rebelo de Sousa, que recusou participar num debate a quatro. O então líder do PSD queria debater a sós com o Primeiro-ministro num debate agendado para 14/06/1197.

Nas legislativas de 1999 também foi longo o processo negocial, mas foi mais simples e menos polémico do que em 1995. O modelo encontrado foi inédito. Todos os líderes dos quatro maiores partidos se confrontaram entre si e a série foi finalizada com um debate a quatro.

Nas legislativas de 2002 foi inaugurado um outro modelo. Na RTP estiveram os líderes dos partidos com representação parlamentar e na SIC foi o frente a frente Ferro Rodrigues - Durão Barroso. A negociação destes debates não foi tão complexa como em 1995, mas obrigou igualmente a prolongadas negociações, segundo disse ao Independente Einhart da Paz.

Independente: Porque é que se indignou por Durão Barroso ter ficado sentado ao lado de Paulo Portas no debate na RTP?
Einhart: Esta divisão simplista esquerda/direita está morta. Num debate tudo deve ser decidido como em qualquer lugar do mundo: por sorteio. O candidato não está a representar o número de votos que tem, ele ainda não tem que ter votos para lá estar. Porque é que Durão tem que ficar ao lado de Portas, perto do centro como se ele fosse de centro-direita? Nós aceitamos e repare-se que o PS mandou para a reunião com a RTP um membro do governo, o que é assustador discutir o que era para ser feito. A própria Judite de Sousa, por telefone, sugeriu que o debate se iniciasse pela Educação e Saúde porque eram temas que não tinham sido ainda discutidos na campanha. O José Magalhães não aceitou e quis começar pela Economia, porque dizia que era o que interessava às pessoas. É obvio que a economia não interessa a ninguém, é uma coisa árida, mas ele disse que era importante para não perder audiência. O Bloco de Esquerda votou com o PSD neste ponto e quem é que votou junto com o PS? (…) O PP. O PCP estava na cara que ia votar junto com o PS, aliás durante a reunião, o representante do PCP nem falou. (…) José Magalhães foi pedir à RTP para não fazerem grandes planos da cara de Ferro Rodrigues para não se ver que ele baba ao falar
».
Independente; 22/03/2002

 

Nas legislativas de 2005 repetiu-se a polémica e chegou a haver a ameaça de não haver qualquer debate. «A realização do frente-a-frente entre Santana Lopes e José Sócrates foi acordada após várias semanas de desentendimentos entre as direcções do PSD e do PS, quer sobre o número de debates entre os dois principais candidatos a primeiro-ministro, quer sobre as estações de televisão que os deveriam transmitir. O presidente do PSD manifestou a vontade de fazer com o secretário-geral do PS o maior número possível de debates, mas o líder socialista apenas aceitou estar presente num único frente-a- frente com o actual primeiro-ministro e num debate com os outros quatro líderes partidários.
Depois, tendo José Sócrates a posição de apenas fazer um debate com Pedro Santana Lopes, havia que escolher quem o transmitiria entre a SIC e a TVI - as duas estações de televisão que apresentaram propostas para o realizar
“. –
Expresso;

A argumentação oficial do PS é que pretendia manter o modelo das eleições de 2002. Luís Paixão Martins, que tinha a responsabilidade do marketing da campanha disse depois do acto eleitoral que «o candidato que vai à frente não deve arriscar». Ao contrário, Santana Lopes queria que fossem realizados vários frente-a-frente com José Sócrates.

O processo arrastou-se durante toda a pré-campanha e acabou por haver um debate na RTP com os líderes dos principais partidos e um frente-a-frente promovido pelo Clube dos Jornalistas, aberto à comunicação social. Este debate introduziu uma outra novidade: «Debate à americana
Tal como nos debates das últimas eleições presidenciais norte-americanas, os tempos de resposta estão estabelecidos à partida. Quando colocado perante uma pergunta, o candidato visado terá dois minutos e 15 segundos para responder e o oponente um minuto para replicar (e o candidato questionado outro minuto para a tréplica, se assim o entender).
Durante a resposta ver-se-á uma luz verde; a 30 segundos do fim do tempo, acender-se-á uma luz laranja; e a 15 segundo do fim, uma luz vermelha. Rodrigues Guedes de Carvalho terá por missão cortar a palavra aos candidatos se estes ultrapassarem o tempo que lhes é atribuído. Sócrates começa o debate, Santana encerra
». João Pedro Henriques;
Público;

Nas Legislativas de 2009 foi alterado o modelo. Foram realizados debates, dois a dois, entre todos os líderes dos partidos com representação parlamentar.

Em 2011, com a troika em Portugal, os condicionamentos eram de outra natureza. O processo foi mais rápido e o debate entre José Sócrates e Passos Coelho teve uma das maiores audiências na história da Democracia portuguesa.

Em 2015 foi alterada a legislação. Os órgãos de comunicação social registam maior liberdade editorial e os debates estão condicionados pela representatividade das candidaturas ao órgão onde pretendem concorrer.


A ida a um debate implica uma longa e rigorosa preparação, que passa por várias áreas, desde o conteúdo à forma. É um trabalho que, em geral, exige uma equipa que recolhe e trata informação, a observação de debates anteriores e avalia os pontos fortes e fracos – e como os utilizar.

A preparação do debate de ontem começou na passada sexta-feira, dia em que no PS se fez uma reunião de planificação dos temas que ontem estiveram em causa no confronto Guterres-Nogueira na SIC. O levantamento das questões agendadas (…) o visionamento do debate na RTP, esmiuçando os pormenores, detectando os pontos fortes e fracos de Guterres e o mesmo, possivelmente ainda com maior atenção, quanto a Fernando Nogueira” – Público 14/09/85.

O mesmo foi relatado pela comunicação social no debate entre Ferro Rodrigues e Durão Barroso em 2002 e entre José Sócrates e Santana Lopes em 2005 - «O líder do PSD vai passar o dia de hoje a preparar o confronto, saindo de São Bento apenas para um almoço com a Confederação do Turismo. O presidente do PSD gosta de ficar sozinho quando se prepara para confrontos decisivos, a consultar dossiers e a preparar mentalmente as suas intervenções, mas deverá ao longo do dia ouvir conselheiros como Rui Gomes da Silva, Miguel Almeida, Pedro Pinto, Miguel Relvas ou Morais Sarmento. Santana também costuma ouvir amigos que não têm nada a ver com a política, que servem “como uma espécie de focus-group”, diz um colaborador.» - DN

 

Um outro aspecto fundamental é, com alguma antecedência, fazer-se um levantamento das situações desfavoráveis e as perspectivas que possam tornear os problemas, ou mesmo lançar um contra ataque. No “You are the message”, Roger Ailes conta detalhadamente a preparação de Reagan para um debate com Mondale. Um dos pontos fracos de Reagan era a sua idade avançada. Como era de esperar, Mondale avançou com o ataque e Reagan respondeu que não queria fazer da idade um tema de campanha, para não falar da juventude e inexperiência de alguns adversários. Era o caso de Mondale. Com este contra ataque, Reagan resolveu de uma só vez o problema da idade avançada.

 

Repare-se num outro exemplo, relativo à governação do PS que era acusado de promover o «clientelismo». À espera que Durão Barroso recorrer-se a este tema, no já citado debate de 2002, Ferro Rodrigues levou uma resposta preparada.

Durão Barroso insistiu várias vezes com o facto do governo PS ter cedido a lobbies, tendo Ferro Rodrigues reconhecido que sim. Este capítulo seria um manancial que o líder do PSD só explorou pela rama, apesar de ter acusado Ferro Rodrigues de ser o detentor do recorde das “nomeações políticas” do Governo, 1124. Ferro mostrou a última nomeação, a de Leonor Beleza, funcionária da presidência do Conselho de Ministros e candidata do PSD.”
Público; Ana Sá Lopes; 27 Fevereiro de 2002

Neste levantamento constam também os temas que criam dificuldades aos adversários. O trabalho seguinte é transformar esses dados em exemplos concretos, que o cidadão comum perceba.

«Durão Barroso replicou que o Governo “fez três orçamentos num ano”: “Os senhores não acertaram uma vez nas contas“.»
Público; Ana Sá Lopes; 27 Fevereiro de 2002

 

Há depois pequenos truques a que se recorre com alguma frequência, como por exemplo, confrontar o adversário com o preço de produtos ou serviços que fazem parte do quotidiano dos cidadãos – o preço de um pão, de um bilhete de Metro…

 

Nas legislativas de 1999 Carlos Carvalhas utilizou este truque com Paulo Portas mas, o tiro saiu-lhe pela culatra.
O líder do PP levava a lição bem estudada e, além do preço de um litro de leite, disparou de rajada o preço de vários bens essenciais.

Para os debates levam-se os documentos que possam comprovar as acusações que vão ser feitas. Mesmo que não sejam exibidos ostensivamente apontam para eles, podem ler uma frase, uma data… para dar veracidade à acusação:

A divergência relativamente ao rendimento mínimo garantido permitiu a Guterres fazer um número a calhar para a televisão: puxou de uma directiva comunitária assinada pelo «ministro de Portugal Silva Peneda», onde se defendia que os países da União Europeia adoptassem um esquema similar ao proposto pelo PS” –

Público, 07/09/95.


Mais tarde, nas legislativas de 1999 foi a vez de Durão Barroso recorrer a gráficos (que mostrava para as câmaras) para ilustrar o “mau” desempenho do Governo em determinadas áreas.

Há mesmo quem vá mais longe e, além dos documentos, chega a levar outros objectos.

Foi o que fez Paulo Portas no debate de 20 de Setembro com António Guterres para as legislativas de 1999.

O líder do PP queria chamar a atenção para um tema que fazia parte da sua campanha – a agricultura – e levou para o debate duas batatas que fizeram notícia.
Portas mostra duas batatas a Guterres (…) Ao apresentar a batata espanhola e outra nacional, o presidente do PP, Paulo Portas, procurou provar a “enorme” desvantagem competitiva entre os agricultores portugueses e os seus concorrentes directos em Espanha (…) ” Lusa, telex 202351 Set. 99.

 

Na verdade, o recurso a esta temática, vinha já das eleições Europeias, meses antes das Legislativas. Na altura, segundo Jorge Alves da Silva, responsável pela imagem do PP, “«Tínhamos 20 mil contos, não era nada. Precisávamos de fazer algo tipo guerrilha, de multiplicar os efeitos da comunicação do líder». Surgiu então a ideia da campanha nas feiras. «Era preciso encontrar formas de síntese paradoxais para comunicar com o eleitorado. Para combater a ideia burocrática da Europa, perguntava-se onde estão as batatas, as maçãs produzidas em Portugal. São questões concretas que tocam as pessoas»” – Público 5 de Julho de 1999.

Esta estratégia deu resultado e Paulo Portas continuou a apostar na visita às feiras nas eleições seguintes, de tal forma que, por algumas pessoas, era tratado como “o Paulinho das feiras”. (Esta imagem foi quebrada nas legislativas de 2005, quando era ministro de Estado e da Defesa e era perceptível a dificuldade em sobrepor as duas imagens.)

 

Na preparação destes debates é frequente fazerem uma simulação com alguém a fazer o papel de “advogado do diabo”.

Nesta simulação é avaliada a relação com as câmaras, a telegenia, a naturalidade da comunicação porque são elementos relevantes. Por vezes até são os marcantes e diferenciadores de um debate.

Foi o que sucedeu em 2002 entre Durão Barroso e Ferro Rodrigues. Segundo a imprensa, «Não houve vencedores no único frente-a-frente que pôs em confronto Durão Barroso e Ferro Rodrigues nesta campanha eleitoral.» (Ana Sá Lopes, Público de 27/02/2002). A diferença esteve mais na forma como se apresentaram.

«Ferro Rodrigues não dominou ainda o olhar e esse descontrolo da pupila nas órbitas oculares transfere-se para a sensação como o espectador recebe o seu comportamento não-verbal. Na declaração final - o último acto da divina representação - os candidatos são autorizados a prescindir do telejornalista, sacerdote intermediário entre a TV e os mortais que assistem à cerimónia. Mas, por falha momentânea, a realização não cumpriu as suas próprias regras nos primeiros segundos da declaração do candidato do PS, mostrados à audiência não pela câmara escolhida para tal, mas por uma câmara lateral. Por causa disso, vimos Ferro Rodrigues a olhar para o lado. Este facto “desconstruiu” logo de início o conceito de “declaração final”. O candidato do PS esteve a falar para um objecto (a câmara que não estava no ar) e não para “nós” (a câmara escolhida). Se fosse um “pivot” ele teria olhado para câmara certa ao perceber o erro do realizador. O modo de olhar da TV influencia o do espectador, mas não é definitivo..» Eduardo Cintra Torres, Público.

 O PS não aprendeu a lição e este problema que Ferro Rodrigues teve no debate com Durão Barroso repetiu-se no frente-a-frente de José Sócrates com Santana Lopes. Na declaração final o líder do PS não olhou para a câmara que estava definida e o efeito pretendido não foi atingido.

 Antes do debate também é avaliada qual a imagem que se quer alcançar e qual a postura que melhor se adequa a essa imagem. Em função deste exercício, conclui-se como dosear a agressividade, o modo como interpelar os adversários e a forma como abordar alguns temas.
Foi de certa forma o que aconteceu com António Guterres nas legislativas de 1995. No primeiro debate, na RTP, em 06/09/95, foi mais agressivo. No segundo debate, depois de ter ganho por “KO” como foi definido pelo Público de 07/09/95, António Guterres preferiu ir par o segundo debate numa postura mais de “estadista”, “de forma menos polémica e mais institucional”, deixando para o seu adversário “a tentação de criticar Guterres por tudo e por nada” – Público, 14/09/95.

 

Em qualquer caso, um objectivo fundamental é evidenciar uma postura segura, de controlo de todas as situações. “Foi um debate ganho no primeiro minuto: a impressionante descontracção de António Guterres chocou de imediato com a mal-disfarçada insegurança de Fernando Nogueira” – Público, 07/09/95
De forma diferente, foi a avaliação feita a José Sócrates na primeira parte do debate com Santana Lopes: «Uma hora. Durante uma hora José Sócrates não esboçou um sorriso, não descontraiu o rosto. Repetiu gestos curtos, impacientou-se, conteve-se. Depois do intervalo, transfigurou-se. Podem ter sido os conselhos que lhe deram nos bastidores, para ser menos ríspido, para não lançar o tempo todo aquele olhar de animal feroz. Bastou Pedro Santana Lopes aventurar-se em comentários sobre a co-incineração e a cara do líder socialista iluminou-se. Baixou os ombros, recostou-se na cadeira, riu-se pela primeira vez desde as oito e meia da noite, enquanto saboreava a vantagem sobre o adversário. Aquele era o seu terreno, não era o de Santana. Finalmente.»Filipe Santos Costa; DN; 0004/02/05.

Sublinhe-se que o conceito «vencer» um debate nem sempre é claro na mente de alguns políticos (e também de alguns comentadores). Muitos esquecem que «vencer» o debate, não é vencer o oponente, o objectivo é ganhar eleitores.

 

Repare-se, por exemplo, no que sucedeu a Paulo Portas e a Durão Barroso em 22 de Setembro de 1999. Os dois líderes tinham relações políticas de grande tensão e apesar de representarem um eleitorado conservador, que gosta de algum respeito e formalidade no relacionamento pessoal, acabaram por transformar o debate num ringue de acusações pessoais. “Durão e Portas lavaram roupa suja no debate da SIC. Como eles se odeiam” título da reportagem do Público de 23 de Setembro de 1999, que tinha na abertura da notícia o seguinte lead: “Maoísta, nazi, estalinista, troca-tintas. Estes foram apenas alguns dos insultos ontem entre Paulo Portas e Durão Barroso (…) Um debate em que ambos perderam, mas Durão terá perdido mais”. No mesmo dia escreveu o Diário de Notícias em título: “Zangados, nervosos e sem papas na língua.” Segundo o relato da jornalista “a agressão verbal foi aumentando e a tensão também”. Tudo isto, para concluir nas palavras de Vicente Jorge Silva, na mesma edição do D.N.: “ (…) A direita deve ter ficado bastante desgostosa com o espectáculo e Guterres ganhou sem ter mexido uma palha (…)” No mesmo sentido foi a opinião de Manuel Vilaverde Cabral na mesma edição do D.N.: “Perderam ambos o debate, autodestruindo-se”.
Ou seja, não importa qual deles ganhou o debate. O que parece ter sucedido é que ambos perderam uma oportunidade para captar novos eleitores, se não chegaram mesmo a perder alguns.

 

Os debates das legislativas de 1995 entre Fernando Nogueira e António Guterres acabaram com um interregno de 10 anos em que não houve qualquer confronto na televisão entre os líderes dos principais partidos.

 

Este intervalo teve lugar enquanto Cavaco Silva desempenhou o cargo de Primeiro-ministro.
O então líder do PSD considerava que os debates não passavam de um mero espectáculo. Mesmo em 1985, quando participou em debates, Cavaco Silva recusou o primeiro confronto, fazendo-se representar por Eurico de Melo. Só aceitava participar com o candidato socialista sobre políticas económicas. Quando se fez substituir por Eurico de Melo, a RTP não aceitou, argumentando que violava as regras estabelecidas e o debate teve apenas como participantes Lucas Pires (líder do CDS) e Álvaro Cunhal (líder do PCP). Cavaco Silva ficou em casa a ver o debate na companhia de uma jornalista do Expresso. O relato que vem na edição de 7 Setembro de 1985 mostra bem a forma como o líder do PSD encarava a questão dos debates: “Isto da TV faz-me confusão. (…) Há quem diga que eu devo ir, não se pode desperdiçar a ocasião… Não sei. (…) «Tu devias ir» aconselha-o a mulher. «Estão a descascar-te, aproveitam-se de que ali não estejas…»” Cavaco Silva acabou por aceitar a sugestão da mulher e participou em dois debates, sendo o último em 12 de Setembro de 1985, onde esteve em estúdio com Almeida Santos e Álvaro Cunhal. Curiosamente, “os comentadores deram a vitória a Almeida Santos no segundo dos seus debates com Cavaco Silva, mas foi este que ganhou as eleições” – José Manuel Fernandes, Público de 13/09/95. Segundo uma sondagem do Expresso de 7 de Setembro de 1985, Almeida Santos também venceu o debate anterior :” Santos – 36%; Cunhal – 23% e Lucas Pires – 25%”.

Na democracia portuguesa fizeram história quatro debates que, de certa forma, coincidem com três momentos políticos importantes.

 

 

 

O primeiro foi entre Mário Soares e Álvaro Cunhal. O debate teve lugar durante quase quatro horas, na noite de 6 de Novembro de 1975, em plena agitação do período revolucionário.
Para a história fica a frase “olhe que não Sr. Doutor” de Álvaro Cunhal, mas o mais relevante foi o confronto directo entre duas figuras marcantes do regime no período pós revolucionário.
Foi, talvez, o debate mais marcante da democracia portuguesa e serve como ponto de referência para os outros debates, por ter sido o primeiro “combate de gigantes” a ser transmitido em Portugal (2) e ter decorrido num ambiente calmo e ameno, ao contrário da agitação que se vivia nas ruas, mesmo enquanto decorria o debate..

 

Mário Soares participou noutro debate que fez história, devido à forma como conseguiu colar o seu adversário a uma imagem ligada ao antigo regime.
Foi em 1986, na segunda volta das eleições presidenciais, contra Freitas do Amaral. Soares precisava dos votos da esquerda para ganhar e lançou sempre a suspeição sobre Freitas do Amaral de estar envolvido com o fascismo - «Não tenho dúvidas que Freitas do Amaral se converteu, tardiamente, à democracia». Mais tarde, o próprio Mário Soares reconheceu que essa imagem não correspondia à realidade.

 

O terceiro debate que merece ser destacado é por ter tido um papel importante na viragem de um resultado eleitoral. Foi em 1989, entre Jorge Sampaio e Marcelo Rebelo de Sousa, para a Câmara Municipal de Lisboa. Até ao debate quase todas as sondagens davam a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa, mas a partir daqui houve uma inversão e Jorge Sampaio acabou por ganhar as eleições

 

 

 

O quarto ciclo de debates que merece ser destacado foi em 1995 entre Fernando Nogueira e António Guterres. Foram dois debates que iniciaram uma nova fase de confrontos televisivos entre os dirigentes dos dois maiores partidos. Segundo um editorial do Público, António Guterres venceu o primeiro debate por «KO» e o segundo debate “confirmou o favoritismo de Guterres”. Um dos motivos invocados por vários comentadores, teve a ver com a capacidade de comunicação de Guterres que “esmagou” uma postura “cinzenta” de Fernando Nogueira. Além do efeito directo do debate (segundo dados da AGB, o primeiro debate foi visto por 1.600 mil pessoas e o segundo debate por 1.500 mil pessoas), António Guterres obteve ganhos acrescidos com os comentários positivos que se multiplicaram em vários órgãos de comunicação social.

 

Há mesmo quem afirme que parte significativa da mais-valia conseguida num debate é o efeito que provoca no tratamento informativo nos dias seguintes. «”As consequências do debate talvez sejam mais interessantes. Dão o tom da campanha a seguir. O debate não se esgota nele mesmo”, diz Fernando Mitre, director de Jornalismo da Band. - O Estado de S. Paulo; 24/10/2004

 

 

 

 

Manuel Maria Carrilho teve esta experiência quando em Novembro de 2005 foi a um debate com Carmona e Silva. A disputa para a Câmara de Lisboa terminou com Carrilho a recusar apertar a mão a Carmona e as câmaras da SIC registaram este momento. No dia seguinte foram estas imagens que abriram os telejornais, foram publicadas na imprensa e na Internet. O grande efeito mediático não foi o debate. Foi o incidente que acabou por ser amplamente valorizados pelos vários órgãos de comunicação social.

 

Após um vazio de vários anos, os debates começaram a ser um ritual nos processos eleitorais.

 

O ponto máximo foi atingido em 1999 com a realização de sete debates. Os líderes dos quatros maiores partidos tiveram confrontos directos e, no final, juntaram-se todos num debate na RTP.
O debate que, aparentemente podia ter maior incidência no resultado eleitoral foi entre António Guterres e Durão Barroso, mas o que reuniu maior curiosidade da comunicação social foi entre Paulo Portas e Durão Barroso. Este debate foi, inclusive, o que teve maior audiência média – 19.7% (fonte Audipanel), enquanto Guterres e Durão ficaram-se pelos 15.2%, o resultado mais baixo de todos os debates na SIC. Segundo uma sondagem da SIC, o líder socialista venceu este debate: 57% - António Guterres e 25% para Durão Barroso. Numa outra sondagem, da Euroexpansão, publicada pelo Expresso em 25.9.99, para 60% dos inquiridos, Guterres foi quem esteve melhor nos debates, que foram vistos por 57% dos portugueses, enquanto 34% atribuíram a Durão Barroso o pior desempenho. Além do efeito directo do debate, António Guterres tirou ainda partido da sua prestação, no dia seguinte, com os comentários publicados em vários órgãos de comunicação social: DN: Vasco Pulido Valente “ Passou por cima de Durão Barroso como um rolo compressor”; Vicente Jorge Silva: “ Claramente, quem ganhou o debate foi António Guterres”; 24H.Primeira página: “Big Show Guterres”; Independente: “o primeiro e o aspirante”, última página, num comentário de Inês Serra Lopes: “ontem o vencedor foi nitidamente António Guterres”; Diário Económico, manchete: “ Durão perde hipótese de vencer Guterres”.

Nesta série de debates, uma outra particularidade teve a ver com o confronto dos quatro líderes na RTP. Foi, de todos, o debate mais informativo, com uma discussão serena de temas que tinham a ver com o quotidiano dos cidadãos – “o debate na RTP (…) foi esclarecedor sobre os objectivos de cada partido em áreas como a economia, questões sociais e políticas.” Lusa 24 Setembro 1999. No entanto, por não ter sido um “espectáculo” televisivo, foi o que obteve menos audiência – 9.8%.
A ideia geral que ficou de todos os debates é que não despertaram grande curiosidade, nem influência no eleitorado. “O resultado final junto do eleitorado talvez tenha sido mais o alicerçar as ideias já existentes.” – Expresso 25.9.99.

 

O que se passou nas legislativas de 1999 é revelador do efeito dos debates. Se algum dos candidatos tiver uma prestação péssima, se cometeu um erro colossal, se teve um acto de coragem ou de grande afirmação, pode, eventualmente, ter reflexos no eleitorado. Se nada disto se passou e o próprio ambiente não é de mudança política, então, os debates de pouco servem. Limitam-se a segurar os fieis e convencer poucos indecisos. Nas palavras de Elihu Katz, professor norte-americano e antigo responsável pela televisão pública de Israel, os debates televisivos servem sobretudo para «cristalizar» opções já tomadas e só residualmente provocam mudanças de posição». (3)

 

Em 2002 a situação também não foi muito diferente. Por um lado, o debate entre Ferro Rodrigues e Durão Barroso não teve grande efeito nos media. O consenso foi que não houve vencedor. Por outro lado, a audiência também não foi muito significativa - «o debate entre Ferro Rodrigues e Durão Barroso teve uma audiência média de 1,2 milhões de espectadores. O”share” foi de 33,4 por cento, o que significa que àquela hora, em cada 100 espectadores que viam televisão 33,4 acompanhava as propostas dos líderes do PS e do PSD. Apesar do interesse do actual momento político português e deste ter sido o único frente-a-frente entre os dois candidatos a primeiro-ministro, o debate não foi capaz de derrotar as novelas da TVI, que mantiveram a liderança das audiências» Lusa

 

Em 2005 os debates não alteraram o valor das sondagens feitas até essa altura. O confronto entre José Sócrates e Santana Lopes não teve um vencedor claro. Pelo menos a opinião expressa nos media era contraditória - «Eleições: Imprensa dividida na análise ao debate entre Santana e Sócrates.

Lisboa, 04 Fev (Lusa) - A imprensa portuguesa de hoje divide-se na apreciação do frente-a-frente televisivo de quinta-feira à noite entre o líder social-democrata Santana Lopes, e o líder socialista José Sócrates, mas é unânime em considerar o debate morno. (…) alguns jornais atribuem a vitória ao presidente do PSD, Santana Lopes, outros ao secretário- geral socialista, José Sócrates, enquanto para outros simplesmente não houve um vencedor..» Lusa 04/02/05.
Uma sondagem revelada pelo Correio da Manhã e realizada pela Aximage revelou que 50,4 por cento dos inquiridos atribuíram a vitória a José Sócrates, 20,2 por cento a Pedro Santana Lopes, enquanto 29,6 por cento considera que se registou um empate.
O que este debate trouxe de novo foi um interesse significativo dos espectadores. O mesmo se passou duas semanas depois no debate na RTP, com os cinco principais líderes partidários.

 

 

O elevado número de indecisos talvez tenha contribuído para levar estes debates para um lugar cimeiro do ‘top’ dos programas políticos mais vistos.

1. P. Coelho/A. Costa - 09/0915 - 3,4 milhões espectadores (RTP, SIC e TVI) 

2. Santana L./J.Sócrates - 03/02/05 - 23,1 % de aud. média ; 2.242.700 espectadores

3. José Sócrates-Passos Coelho 20 Maio 2011              1.584.500

4. Paulo Portas/José Sócrates      09 Maio 2011            1.483.298

5. Paulo Portas/José Sócrates      09/2009 -                 1.439.900
6. José Sócrates/Francisco Louçã  09/2009                  1.419.400

7. José Sócrates/Manuela F. Leite 09/2009                   1.337.400

8. Fernando Nogueira/António Guterres 09/1995          1.280.000

9. Durão Barroso/Ferro Rodrigues 26/02/2002    13.7% 1.230.200

10. Fernando Nogueira/António Guterres 09/1995          1.207.200

11. Francisco Louçã/Manuela F. Leite  09/2009               1.181.500

12. Jerónimo Sousa/Manuela F. Leite 09/2009              1.180.500

13. Paulo Portas/Manuela F. Leite 09/2009                   1.176.600

14. José Sócrates/Francisco Louçã 12 Maio 2011          1.140.000

15. Paulo Portas/Francisco Louçã 09/2009                   1.020.200

16. Paulo Portas-Francisco Louçã 18 Maio 2011            1.015.615
17. Passos Coelho-Francisco Louçã 17 Maio 2011         1.010.995

18. José Sócrates/Jerónimo Sousa 09/2009                   976.800

19. P P Coelho/Jerónimo Sousa 10 Maio 2011                970.748

20. Debate a 5 em 12/03/2002  10.6%                          955.400

 

Outras audiências relevantes de programs televisivos:

Debate a cinco na RTP 16/02/05 - 18,3%
Entrevista a Cavaco Silva na TVI Novembro de 2005 – 17.8%
Entrevista a Manuel Alegre na TVI Novembro de 2005 – 13.8%
Eleições Europeias 13/06/2004 - 13.5%
Entrevista a Jerónimo de Sousa na TVI Novembro de 2005 – 12.8%
Grande Entrevista a António Guterres 04/05/2003 – 12%
Entrevista a Francisco Louçã na TVI Novembro de 2005 – 11.7
Grande Entrevista a Cavaco Silva 06/03/2003 – 10.9%
Entrevista a Mário Soares na TVI Novembro de 2005 – 10.8%
Debate da Nação – dissolução da AR 10/12/2004 – 9.8%
Grande Entrevista a Durão Barroso 16/07/03 – 8.5%
Grande Entrevista a Ferro Rodrigues 11/11/03 – 8.1%

Entrevista a José Sócrates TVI 26/04/2011 1.135.040 espectadores 

 

O debate na RTP com os cinco líderes partidários originou também uma situação inédita. Jerónimo de Sousa ficou afónico e teve de se ausentar. Fez uma primeira tentativa, não conseguiu falar e saiu do estúdio. Após o intervalo regressou, fez uma intervenção mas acabou por abandonar o debate.

O ciclo seguinte foi o das presidenciais, em Dezembro de 2005. O confronto mais esperado foi entre Cavaco Silva e Mário Soares mas acabou por ser o o quarto mais visto da série de 10 debates, com apenas 1,381 milhões de telespectadores a assistir ao "duelo".
O debate entre Mário Soares e Manuel Alegre, realizado a 15 de Dezembro, foi o mais visto, com 1,730 milhões de telespectadores.
Este frente-a-frente foi também líder de audiências, no dia em causa, uma situação que não se repetiu com qualquer outro debate da série.

 

Em 2009 é de assinalar o debate entre José Sócrates e Francisco Louçã. O debate foi visto por 1.419.400 indivíduos. Foi em 08/09/2009, na RTP e marcou uma viragem na motivação do PS. José Sócrates estava em grandes dificuldades e parte do eleitorado fiel duvidava da capacidade do líder do PS em ganhar as eleições.
Neste debate com o dirigente do BE, Sócrates conseguiu uma manifesta vantagem e introduziu uma nova motivação. Como se tivesse "renascido". De facto, para muitos dirigentes socialistas, começou aqui o ponto de viragem que levou o PS à vitória e a comunicação refletiu o impacte da vitória de Sócrates. O próprio Francisco Louçã viu-se na necessidade de, nos dias seguintes, tentar explicar alguns dos pontos controversos do debate.

 Em 2011 o debate que teve maior audiência, em 20 de Maio, entre José Sócrates e Passos Coelho, na RTP1, teve uma outra particularidade: a gestão das expectativas.
 O cariz de Sócrates, a sua acutilância, a sua determinação, o registo de que se prepara em detalhe para os debates, o estar no poder.... todos estes elementos criaram a ideia de que o então primeiro-ministro ía "dar uma tareia" a quem lhe queria tirar o lugar.
 Esta ideia estava projectada na comunicaão social, nas redes sociais e nos comentários de muitos dirigentes políticos.

Na verdade, nada disto se passou. Foi vaga a ideia de quem ganhou mas o simples facto de Passos Coelho não sair em "KO", pelo contrário, ripostou e até conseguiu surpreender José Sócrates, foi o suficiente para dar uma "nova alma" à candidatura do PSD. Ganhou o debate quem melhor fez a gestão das expectativas.

Debates das Legislativas de 2015. A particularidade foi a transmissão em simultâneo do debate Passos Coelho/António Costa por parte da SIC, TVI  RTP.
Os outros debates realizaram-se nos canais informativos distribuidos por cabo.

Como já foi referido, de destacar as audiêncis alcançadas pelos debates na Legislativas de 2009 colocando alguns no Top dos programs políticos mais vistos:
J. Sócrates - P Portas -     1,439,000 espectadores
J. Sócrates - F Louçã -     1,419,400
J Sócrates - M. F. Leite -  1,337,400
F. Louçã - M. F. Leite -    1,181,500
M. F. Leite - Jerónimo S. 1,180,500
P. Portas - M. F. Leite -    1,176,600
P. Portas - F. Louçã -        1,020,200
J. Sócrates - Jerónimo  S.    976,000
F. Louçã - Jerónimo S. -      835,000
P. Portas - Jerónimo S. -      811,400
Dos dez debates exibidos entre 2 e 12 de Setembro, quatro foram os programas mais vistos do dia.

 

 

O ritual dos debates implica também uma prática que começa a ser habitual - o protesto dos que são excluídos e que reivindicam o direito de estar presente.

Em 1985 Carlos Carvalhas tentou entrar na RTP para participar no debate entre Fernando Nogueira e António Guterres e, na semana seguinte, em frente às instalações da SIC, a CDU organizou “talvez, o maior comício desta pré-campanha da coligação de esquerda (à excepção da Festa do «Avante»)(…) Acabou por ser uma aposta ganha.” - (Público 14/09/95).

Passada mais de uma década a mesma história repetiu-se com os debates para as Legislativas de 2011. Os "pequenos" partidos recorreram a tribunais e no primeiro debate "cerca de duas dezenas de pessoas, em representação dos partidos PCTP/MRPP, Partido Trabalhista Português e Partido Nova Democracia, entraram indevidamente nas instalações da RTP, a minutos do debate entre Paulo Portas e Jerónimo de Sousa". No debate seguinte, na TVI, regitou-se novo protesto.

 

 

Uma última referência para as declarações que são feitas nos bastidores dos debates. Muitos órgãos de comunicação social fazem reportagens sobre a forma como os assessores dos líderes acompanham a emissão. É também frequente a recolha das opiniões dos candidatos sobre a forma como decorreu o debate. Muitas vezes estas reacções servem de sinais aos jornalistas sobre a percepção que os vários «stafs» fazem do resultado do debate. Habitualmente reagem de uma forma positiva: “o primeiro-ministro manifestou-se contente com o debate: «nós achamos sempre que ganhamos». E o líder da oposição também: «fiquei extremamente satisfeito»” – Público, 17 Setembro de 1999. Quando não é o próprio candidato a exprimir a sua opinião conome é exemplo no debate com Paulo Portas nas Legislativas de 2011 que permitiu ao site do Expresso colocar em grande destaque "Sócrates: "Ganhei este debate e vou ganhar as eleições"

 

(1) Porque as sondagens davam o PSOE muito próximo do PP, “o duelo feroz entre Felipe Gonzalez e José Maria Aznar terá dois assaltos e decidirá em grande medida a vitória eleitoral, segundo estimam os responsáveis políticos das duas forças políticas” - Cambio 16; 31 Maio de 1993, nº 1.123
(1) Antes, Cunhal e Soares tiveram um outro debate, mas foi difundido apenas na televisão francesa – ORTF.
(2) Público; 23/03/1999

 

 

Lista de alguns dos debates mais marcantes:
Julho de 1975 – Mário Soares / Álvaro Cunhal – ORTF ( difundindo em França)
06 Novembro 1975 – Mário Soares/Álvaro Cunhal – RTP
20 Novembro 1980 – Entrevistas aos candidatos presidenciais
29 Agosto 1985 – MDP/CDE; UEDS; UDP e PRD que abandonou – RTP
03 Setembro 1985 – Almeida Santos; Álvaro Cunhal e Lucas Pires - RTP
05 Setembro 1985 – Álvaro Cunhal e Lucas Pires -Cvaco Silva não esteve presente ) – RTP
11 Setembro 1985 – Cavaco Silva, Almeida Santos e Lucas Pires – RTP
12 Setembro 1985 – Cavaco Silva, Almeida Santos e Álvaro Cunhal – RTP
02 Janeiro 1986 – Mário Soares, Salgado Zenha - RTP
09 Janeiro 1986 – Mário Soares; Freitas Amaral – RTP
06 Fevereiro 1986 – Mário Soares; Freitas Amaral ( segunda volta ) – RTP
28 Novembro 1989 – Marcelo Rebelo de Sousa; Jorge Sampaio
06 Dezembro 1990 – Mário Soares ; Basílio Horta
1993 – Macário Correia e Jorge Sampaio que não esteve presente - SIC
06 Setembro 1995 – António Guterres; Fernando Nogueira – RTP
13 Setembro 1995 – António Guterres; Fernando Nogueira – SIC
1995 – Cavaco Silva; Jorge Sampaio
14 Junho 1996 – António Guterres, Carlos Carvalhas, Manuel Monteiro e Marcelo rebelo de Sousa que não esteve presente.
11 Maio 1999 – Mário Soares, Pacheco Pereira, Ilda Figueiredo e Paulo Portas – SIC
28 Maio 1999 - Mário Soares, Pacheco Pereira, Ilda Figueiredo e Paulo Portas – RTP
16 Setembro 1999 – António Guterres; Durão Barroso
17 Setembro 1999 – Paulo Portas; Carlos Carvalhas – SIC
19 Setembro 1999 – Durão Barroso; Carlos Carvalhas - SIC
20 Setembro 1999 – António Guterres; Paulo Portas – SIC
21 Setembro 1999 – António Guterres, Carlos Carvalhas – SIC
22 Setembro 1999 – Durão Barroso; Paulo Portas – SIC
24 Setembro 1999 – Durão Barroso; Paulo Portas; António Guterres e Carlos Carvalhas – RTP
26 Fevereiro 2002 – Ferro Rodrigues; Durão Barroso - SIC
03 Fevereiro 2005 – Santana Lopes; José Sócrates – SIC e RTP2
16 Fevereiro 2005 - Santana Lopes; José Sócrates; Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e Francisco Louça.
15 Setembro 2005- Manuel Maria Carrilho / Carmona Rodrigues – SIC Notícias

15 Dezembro 2005 - Manuel Alegre - Mário Soares - RTP

20 Dezembro 2005 - Mário Soares - Cavaco Silva - RTP

08 Setembro 2009 - José Sócrates - Francisco Louçã - RTP

12 Setembro 2009 - José Sócrates - Manuela Ferreira Leite - SIC

20 Maio 2011 - José Sócrates-Passos Coelho (RTP)

Legislativas 2011:
6 Maio:
Paulo Portas-Jerónimo de Sousa (RTP) - audiência média de 910.800 espectadores. Share de 26.1%
9 Maio:José Sócrates-Paulo Portas (TVI) - audiência média de 1.483.298 espectadores. Share de 38.3%
10 Maio: Passos Coelho-Jerónimo de Sousa (TVI) audiência média de 970.748 espectadores. Share de 26.9%
11 Maio:José Sócrates-Francisco Louçã (SIC) audiência média de 1.140.000 espectadores com um share de 30.2%
12 Maio: Francisco Louçã-Jerónimo de Sousa (RTP) audiência de 894 mil espectadores e share de 24,2%
13 Maio: Passos Coelho-Paulo Portas (SIC) audiência média de 887.369 pessoas com um share de 28,8%
16 Maio: José Sócrates-Jerónimo de Sousa (SIC) audiência média de 920.620 pessoas com um share de 28%.
17 Maio: Passos Coelho-Francisco Louçã (TVI) audiência média de 1.010.995 pessoas e share de 30.2%
19 Maio: Paulo Portas-Francisco Louçã (SIC) audiência média de 1.015.615 pessoas e share de 27.9%
20 Maio; José Sócrates-Passos Coelho (RTP)  audiência média de 1.584.500 pessoas e share de 44.2%